Gênesis 24:1-10 – Procura-se uma noiva com urgência para Isaque!


Gênesis 24:1-10 - Procura-se uma noiva com urgência para Isaque!

Abraão procura uma noiva com urgência para Isaque, porque acredita que não tem muito tempo de vida. Seu servo, vai percorrer quase mil quilômetros para encontrá-la.

Com isso, iniciaremos aqui uma história de amor, que não somente tocará profundamente as nossas emoções, como também será de grande valor espiritual.

Nesse sentido, esta história nos dará um exemplo maravilhoso de uma conduta reta, na busca de um casamento abençoado por Deus. Não somente a fé e a oração serão exemplificadas em todo estudo do capítulo 24, como também poderemos ver um lindo quadro do verdadeiro amor.

Abraão chama seu servo para procurar uma noiva

V-1,2. Haviam se passados três anos após a morte de Sara e Abraão já estava bem velho, com 140 anos e o SENHOR Deus o havia abençoado em tudo.

Abraão viveria ainda, mais 35 anos, no entanto, ele não tinha motivos para presumir que viveria até essa idade. Por isso, começou a fazer os preparativos para sua possível morte. 

A princípio, sua maior preocupação era o casamento de Isaque com uma mulher que o ajudaria a criar uma semente divina, como Deus havia deixado claro anteriormente.

Nesse ínterim, ele chamou Eliezer o seu empregado de maior confiança, que tomava conta de tudo o que ele tinha, para uma missão muito importante.

Inclusive, há aproximadamente 50 anos atrás, Abraão chegou a cogitar a possibilidade de colocá-lo como seu possível herdeiro, lembram? Estudamos no capitulo 15:2. Portanto, ele ocupou uma posição de grande honra e responsabilidade, gerenciando tudo o que Abraão tinha.

Aliás, a devoção deste servo ao seu mestre e ao Deus de seu mestre, será um dos destaques do capítulo. Sua piedade, vida de oração e sabedoria prática, estabeleceram um alto padrão para o cristão, em qualquer época.

Um ritual de juramento estranho

Abraão chamou Eliezer e lhe fez um pedido um tanto quanto estranho:

– Eliezer, ponha a mão por baixo da minha coxa e faça um juramento.

Esta estranha e antiga cerimônia que acompanhava a um solene juramento, só é mencionada mais uma vez na Bíblia no cap. 47:29 de Gênesis.

Contudo, as explicações deste costume variam entre muitos comentaristas. A maioria considera como um símbolo de autoridade e fidelidade a um superior.

“A pessoa que fazia esse juramento, colocava a mão embaixo da coxa da pessoa a quem deveria estar ligada; isto é, colocava a mão na parte que levava a marca da circuncisão, o sinal da aliança de Deus… Nossas idéias de delicadeza podem se revoltar com o rito usado nesta ocasião; mas, quando a natureza da aliança for considerada, da qual a circuncisão era o sinal, perceberemos imediatamente, que esse rito não poderia ser usado sem produzir sentimentos de reverência e medo divino, pois a parte contratante deve saber que o Deus dessa aliança era um fogo consumidor”. (Clarke)

Acima de tudo, Abraão estava extremamente preocupado que Isaque não se casasse com uma noiva cananéia, fazendo seu servo jurar pelo SENHOR, o Deus do céu e o Deus da terra .

A noiva não deveria ser Cananéia

V-3. – Jure pelo SENHOR, o Deus do céu e da terra, que você não deixará que o meu filho Isaque case com nenhuma mulher deste país (Canaã), onde estou morando.

Como é costume até hoje em dia no Oriente, os pais escolhiam a esposa e faziam os preparativos para o casamento de seus filhos. Provavelmente, a longa demora em fazer planos para o casamento de Isaque, se deveu ao desejo de Abraão de evitar que seu filho tomasse uma esposa Cananéia.

Conhecendo a crescente libertinagem e a idolatria dos Cananeus, Abraão desejava conservar a pureza da semente prometida. Portanto, a sua preocupação era que Isaque tivesse uma esposa consagrada e que adorasse ao Senhor.

Afinal, sua própria experiência com Agar e, as desventuras de Ló e Ismael, lhe tinham ensinado o perigo das alianças com gente de origem pagã.  

A noiva deveria ser da parentela

V-4-7. – Vá até a minha terra e escolha no meio dos meus parentes uma esposa para Isaque.

Dessa forma, a solução era encontrar uma moça que fosse de sua própria parentela, semita, e para isso seu empregado teria de ir procurá-la em sua terra, nas proximidades de Harã na Mesopotâmia, a mais de 800 quilômetros de distância.  

Abraão já com 140 anos, não tinha mais condições para fazer uma viagem tão longa.

O casamento entre familiares era normal e aceitável naquele tempo. Ainda que não estivessem livres da idolatria, os parentes de Abraão preservaram, em certa medida, o conhecimento e o culto do Deus verdadeiro. Então, o servo, que era bastante prático, levantou logo uma objeção:

A dúvida de Eliezer

– E o que é que eu faço se a moça não quiser vir comigo? Devo levar o seu filho de volta para a terra de onde o senhor veio?

Provavelmente, Abraão antecipou que ele poderia morrer enquanto seu servo estivesse ausente, de modo que as instruções foram tornadas perfeitamente claras. Solenemente Abraão respondeu:

– Não, de jeito nenhum! Deus me tirou de lá há tantos anos, e a terra que ele me prometeu é esta aqui. Ele vai enviar o seu Anjo para guiá-lo, e assim você conseguirá arranjar uma mulher para o meu filho.

Esta terna expressão de confiança na direção divina revela a permanente convicção de Abraão, de que ele e seus assuntos estavam sob a direção e proteção de Deus.

V-8. – Se a moça não quiser vir, você ficará livre deste juramento. Porém não leve o meu filho de volta para lá, de jeito nenhum.

Não há dúvida de que Abraão temia que Isaque pudesse sentir-se tentado a permanecer na Mesopotâmia, e assim atrapalhar o propósito divino.

Isaque, o filho da promessa, nunca deixou a Terra Prometida. Sua esposa deveria vir até ele, por isso, Isaque ficou na terra de Canaã. Esse princípio era tão importante que, se a mulher não viesse com Eliezer, era melhor Isaque não ter esposa.

Os presentes para a noiva

V-9,10. Então o empregado pôs a mão por baixo da coxa de Abraão e jurou que faria o que ele havia ordenado.

Em seguida Eliezer pegou dez camelos de Abraão, uma porção de presentes e partiu para sua longa viagem até Harã.

Ele carregava riquezas tão substanciais que se podia dizer com exagero poético, que todos os bens de seu mestre estavam em suas mãos. 

No antigo Israel, a principal exigência, do pai da noiva, era o dote, ou seja, um certo valor que o noivo pagava, ao pai da noiva, como forma de compensação e garantia.

Isaque pagou o dote, por Rebeca, com ouro (Gn 24.22,30). Jacó, por Lia e Raquel, pagou o dote com 14 anos de trabalho (Gn 29.15-30). Davi, pagou o dote, por Mical, com 200 prepucios de filisteus.

Mas JESUS, diferente de todos eles, pela Igreja, a sua noiva, não pagou o dote com ouro, trabalho ou com à morte de alguém. Ao contrário, Ele pagou com a sua própria vida. (1Pe 1;18,19).

Um exemplo maravilhoso de fé em Deus

A viagem foi longa. A distância em linha reta de Canaã a Ur dos Caldeus era de cerca de 800 quilômetros, mas a rota mais comum era de 1.450 quilômetros. É uma distância absurdamente muito grande para buscar uma noiva.

Que exemplo maravilhoso de fé em Deus como Aquele que guia Seu povo. Abraão enviou seu servo, certo de que Deus estava com ele nessa decisão. Ele procurou uma esposa para o filho, certo de que Deus havia preparado o caminho e tornaria isso claro, se fosse necessário. 

Percorrer essa distância, com essas riquezas, só mesmo debaixo da proteção de Deus!

Lições importantes

1º Se quisermos ter alguém de Deus, devemos esperar o tempo de Dele. Quantas vezes homens e mulheres se casam às pressas, temendo que a hora do casamento passasse rapidamente por eles. Casam-se com incrédulos ou descomprometidos, porque concluem ser uma boa pessoa. Isaque tinha 40 anos quando se casou. Por alguns padrões, da época estava 10 anos atrasado (Gênesis 11: 14). Vale a pena esperar por uma pessoa abençoada e escolhida por Deus.

2º Se quisermos ter uma pessoa de Deus ao nosso lado, devemos procurar o lugar certo. Abraão instruiu seu servo a não procurar uma esposa entre os cananeus. Afinal, ele sabia que seus parentes temiam a Deus e que seus filhos compartilhavam uma fé comum. Portanto, foi para lá que o criado foi procurar, não importando se houvesse muitas milhas poeirentas de distância.

Não sei ainda, porque os cristãos acham que encontrarão alguém de Deus em um bar ou em algum outro lugar desse tipo. Não culpo nenhum cristão por ir a um grupo da igreja, com a esperança de encontrar um parceiro de casamento lá. Então, se procura alguém de Deus, veja onde os filhos de Deus devem estar. 

Em Cristo


Número de visualizações do artigo: 58