Números 22: 22-27 – A jumenta e o profeta teimoso.


A jumenta e o profeta teimoso.

Números 22: 22-27

A encantadora ingenuidade desta história esconde um brilho de composição literária e grande profundidade de reflexão teológica.

A narrativa é em um só tempo engraçada e terrivelmente séria.

A estupidez e teimosia dos personagens humanos são acentuadas pelo comportamento civilizado da pobre mula.

Conforme vimos no último capítulo, no fim das contas Deus autorizou a Balaão que fosse com os moabitas.

Balaão levantou-se pela manhã, pôs a sela sobre a sua jumenta e partiu a fim de alcançar os líderes de Moabe.

Mas como era de se esperar, o Senhor não deixaria barato sua insistencia.

Como assim?

No versículo 12 Deus deixou claro sua vontade a Balaão…

No versículo 20 o Senhor lhe permitiu que fosse. Esta foi uma instrução meramente permissiva, baseada não na vontade de Deus, mas na própria vontade de Balaão. Se o profeta tivesse desejado cumprir a vontade de Deus, as palavras registradas no versículo 12 teriam definido o assunto. Mas quando um homem é rebelde de coração, Deus pode permitir-lhe seguir seus desejos e sofrer as conseqüências.

Ele havia escolhido fazer o que ele próprio desejava, para o seu próprio proveito, amando o prêmio da injustiça.

É o que acontece com os falsos profetas (2 Pedro 2:15-16). Infelizmente muitos líderes cristãos hoje em dia, bem como entidades que se consideram evangélicas, também são motivados pela recompensa financeira sobre tudo.

Mas, continuando a história…

Balaão ia montado no lombo da jumenta e seus dois servos o acompanhavam.

Então um anjo empunhando uma espada, postou-se no meio do caminho.

Balaão não viu nada, claro, mas a pobre jumenta assustou-se e saiu da estrada, enfiando-se numa plantação.

Aqui se desvenda a sua cegueira espiritual e sua impotência. Ele não consegue ver o anjo do Senhor, embora sua mula consiga…

A saída da estrada causou um tranco que assustou Balaão. O profeta ficou revoltado:

_ Ô jumenta burra! Quem foi que mandou você sair da estrada? Quem foi?

O Senhor abriu somente os olhos da jumenta, como lhe abriria a boca dela pouco depois.

E deu várias bordoadas na pobre coitada que, abdicada como é da sua natureza, voltou para a estrada sem rezingar.

O anjo ficou em pé num ponto do caminho entre duas plantações de uvas, que tinha um muro de cada lado.

A jumenta, mais uma vez assustada pelo anjo, começou a andar rente ao muro para tentar desviar-se dele.

Balaão, sentindo a perna prensada contra o muro, assustou-se de novo, e ficou mais furioso ainda.

Desmontou da jumenta e começou a falar mal e bater na pobre coitada novamente;

_ Ô jumenta desgramada! Viu o que você fez? Agora vai apanhar!

Balaão montou de novo e prosseguiu viagem ainda resmungando contra a jumenta.

O anjo, por sua vez, havia se colocado numa parte estreita do caminho, por onde só passava mesmo a jumenta.

Ao ver o anjo pela terceira vez, a jumenta não sabendo mais o que fazer, desiste e deita-se no chão.

Este animal proverbial pela sua teimosia e passividade, demonstra ter mais percepção espiritual do que o super profeta da mesopotâmia a quem Balaque está preparado para contratar.

Balaque deveria é ter contratado a jumenta…

Balaão saiu do sério de vez, acreditando na teimosia da jumenta, começou a bater nela com a sua vara.

_ Ô jumenta miserável! Você é muito teimosa? Perdi a minha paciência de profeta contigo! Agora vai apanhar mais!

Então para o nosso assombro, de Balaão e da própria jumenta, ela fala…

Em Cristo!

A seguir: A jumenta solta o verbo.


Número de visualizações do artigo: 15