2 Samuel 2: 1-16 – O atrapalhado duelo dos que morreram ao mesmo tempo!


2 Samuel 2: 1-16 - O atrapalhado duelo dos que morreram ao mesmo tempo!

O atrapalhado duelo dos inimigos que morreram ao mesmo tempo foi uma péssima ideia que partiu de Joabe e Abner, para decidir quem seria o rei de Isarel. Como já dá para imaginar, não foi uma boa ideia.

Davi consulta a Deus

V:1. Após a morte de Saul, Davi queria deixar o país dos filisteus e retornar ao seu próprio país. Mas ele não tomou sua própria decisão. Antes de tudo, Davi queria conhecer a decisão do Senhor.   

Certamente, essa foi a chave para o sucesso na vida de Davi. Com raras exceções, ele constantemente perguntava ao Senhor antes de tomar suas decisões.

À primeira vista, Davi queria mais do que a benção de Deus em seus planos; ele queria estar sempre no centro dos planos de Deus.  

Naquele tempo Davi ainda estava em Ziclague, no território dos filisteus. Por grande desânimo e desespero, ele deixou a terra de Israel, para viver quase como um filisteu entre os filisteus. 

Contudo, agora que Davi foi restaurado ao Senhor, ele se perguntou se era hora de ele voltar para sua terra natal.

— Senhor, devo ir e governar alguma das cidades de Judá?

— Sim! – respondeu o Senhor.

— Qual delas? — perguntou ele.

— Hebrom! — foi a resposta de Deus.  

Cerca de 15 a 20 anos antes disso, Davi foi ungido rei sobre Israel (1 Samuel 16:12-13). Como a promessa parece quase cumprida, Davi procurou cuidadosamente o Senhor. 

Ele sabia que a promessa era de Deus, então sabia que Ele poderia cumpri-la sem nenhuma manipulação sua.

Davi entra em Hebron

V:2-3. Então Davi foi para Hebrom, levando consigo sua família e seus soldados com as suas respectivas famílias.

Parece muito fácil, não é? Pois foi mesmo: Acontece que Judá, estava sob domínio filisteu e Davi era homem de confiança de Aquis, um dos cinco reis da Filistia. Por isso, eles entraram na cidade, sem nenhuma dificuldade.

Ora, era interessante para os filisteus que Judá tivesse a ilusão de soberania, enquanto eles continuavam a exploração no local. Portanto, Davi encaixava-se perfeitamente nos planos dos invasores.  

Em 1 Samuel, capítulo 30, Davi atacou os amalequitas e os derrotou. Simultaneamente, levou todos os seus animais e outras posses para as cidades onde os líderes o ajudaram. Hebron foi uma dessas cidades.   

Hebron era uma cidade antiga e importante. A cidade ficava cerca de 43 quilômetros ao nordeste de Ziklag. No capítulo 23 de Gênesis, estudamos que Sara, esposa de Abraão, morreu em Hebron.

Além disso, Abraão comprou algumas terras para enterrar Sara ali. Mais tarde, os filhos de Abraão o enterraram lá também. Portanto, o lugar tinha sua importância.

Davi é escolhido como rei em Judá!

V:4. Então agora, com a morte de Saul, os israelitas não tinham rei. Nesse sentido, este foi um momento perigoso para a nação de Israel. Portanto, os líderes das tribos e cidades tinham que escolher um novo rei, o mais breve possível.

A boa notícia, é que os homens da tribo de Judá conheciam Davi e seu exército. Inclusive, o exército de Davi já os ajudou e protegeu.

Além disso, Davi era um bom soldado e os homens de Judá confiavam nele. Isso mostra que Davi não conquistou o trono a força. Os anciãos de Judá se aproximaram dele.   

Então, sem muitas delongas, ungiram Davi como seu rei. No entanto, Samuel já tinha ungido Davi como rei de Israel muitos anos antes (1 Samuel 16:1-13).

Não sabemos se o povo de Judá sabia disso, mas eles escolheram o homem que Deus já havia escolhido. Dessa forma, Davi tornou-se rei de apenas uma tribo neste momento. Ele só se tornaria rei de todo o Israel no capítulo 5 de 2 Samuel.

Os puxa-saco de Judá

V:5-7. Após escolherem o novo rei, não demorou muito para os puxa-saco aparecerem. Os homens de Judá, querendo fazer um pouco de picuinha, disseram a Davi que os homens de Jabes Gileade haviam sepultado o corpo de Saul.

Achavam que o novo rei ficaria ofendido com isso, afinal Saul era seu inimigo. Ele, pelo contrário, mandou uma carta de agradecimento ao povo daquela cidade:  

— Que o Senhor abençoe vocês por terem feito a caridade de sepultar o nosso rei! Que o Senhor seja bom e fiel para vocês! Por causa do que fizeram, eu também os tratarei bem. Sejam fortes e valentes! Saul, o rei de vocês, morreu, e o povo de Judá me ungiu como rei deles.  

Talvez Davi esperasse que o resto de Israel o escolhesse como seu rei também. Então, ele tentou fazer amizade com o maior número de pessoas possível.  

O filho escondido do rei

V:8. Apesar da simpatia em parte de Israel por Davi, Abner, o comandante do exército de Saul e consecutivamente, homem mais poderoso do reino, tinha uma carta na manga.

Chamava-se Isbosete. Ele tinha 40 anos de idade e era o único filho vivo de Saul. Sim, sim: havia ainda um filho do rei escondido.   

Abner conhecia Davi desde quando ele era jovem (1 Samuel 17:55-57). Inclusive, Davi desafiou Abner quando teve a oportunidade de matar Saul, mas não o fez. Por isso, Davi apontou que Abner falhou em proteger seu rei.

Mas voltando aos filhos de Saul, só para você se situar, ele teve 4 filhos (1 Crônicas 8:33). Três dos filhos de Saul morreram com ele na batalha (1 Samuel 31: 2). Dentre eles, seu filho mais novo era Isbosete. Como já sabemos, quando um rei morria, automaticamente, seu filho geralmente se tornaria o novo rei.

Dessa forma, Abner nomeou Isbosete para ser o novo rei. No entanto, isso foi contra o que o Deus havia dito em 1 Samuel 15:28. E também foi contra o que Saul havia dito em 1 Samuel 24: 20-21.     

Isbosete torna-se rei também

V:9-11. Ele então saiu com Isbosete de seu esconderijo, foi com ele até a cidade de Maanaim e lá constituiu-o rei de Gade, Aser, Efraim, Benjamim, enfim, de todo o Israel exceto Judá.  

Eu particularmente credito, que Abner fez Isbosete rei, provavelmente para que ele pudesse ser o verdadeiro poder por trás do trono de um rei fraco.

A Bíblia não diz se o povo de Israel queria Isbosete como seu rei. De qualquer forma, eles provavelmente tiveram que fazer muitas cerimônias para torná-lo rei em cada região ou tribo. Os versículos 10-11 sugerem que isso levou cerca de 5 anos e 6 meses.  

A nação de Israel agora tinha dois reis. Isbosete governaria apenas dois anos e Davi, governaria, por sete anos em Hebron. Mas os capitães de cada exército queriam que seu rei governasse a nação inteira.     

Parece estranho que muitas das tribos preferissem Isbosete a Davi. No entanto, desde que os filisteus haviam invadido muitas das outras tribos de Israel, eles ficaram ainda mais hesitantes em escolher Davi. Com isso, tinham medo da desaprovação dos filisteus.

O encontro de Joabe e Anber

V:12,13. Sabendo disso, Davi chamou seu general de confiança, Joabe. Ele era irmão de Abisai, o sujeito que fora com Davi até o meio do acampamento de Saul em Zife, quando o Saul saíra em sua perseguição.   

Joabe era muito importante no exército de Davi, tendo-se tornado o oficial de maior patente. Por isso, Davi o enviou até Gibeom com seus soldados, para se encontrar com Abner e tentar um acordo de guerra.   

Por outro lado, Abner e os oficiais de Isbosete foram de Maanaim para a cidade de Gibeão. Não por coincidência, Gibeão era a cidade natal de Saul. Ficava cerca de 40 quilômetros (25 milhas) de Judá ao norte de Hebron.  

Sabendo disso, Joabe e os oficiais de Davi foram encontrá-los perto da represa de Gibeão. Chegando lá, todos eles se sentaram, um grupo de um lado da represa e o outro do outro lado, a fim de fazer o tal acordo de guerra. 

Simultaneamente, os dois grupos ficaram em silêncio por longo tempo. Eram todos israelitas ali, e por isso, era um tanto constrangedor estarem de lados diferentes. Posteriormente, o silêncio foi quebrado por Abner:

Este deve ter sido um confronto fascinante entre dois homens muito semelhantes. Afinal, Abner e Joabe eram, cada um, militares duros e maus, completamente devotados à sua causa.

O atrapalhado duelo que matou todos ao mesmo tempo

V:14-16.

— Deixe que alguns dos nossos homens enfrentem alguns dos seus, em um duelo, o que você acha?

— Está bem! — respondeu Joabe.  

Então cada capitão levou um grupo de soldados para Gibeão. Mas nenhum dos reis foram.   

Eles escolheram 12 homens de cada grupo para lutar. Israel tinha 12 tribos, então talvez os 12 homens agissem em nome de toda a nação. O acordo dizia que qualquer grupo que ganhasse a luta, seu rei governaria todas as 12 tribos.   

Esse duelo é semelhante ao que aconteceu com Davi e Golias em 1 Samuel capítulo 17. No entanto, o plano não funcionou em Gibeão.

Quando os dois grupos de 12 se encontraram, rapidamente degenerou-se em um banho de sangue mútuo. Inacreditavelmente, todos os homens morreram ao mesmo tempo em um duelo para lá de atrapalhado.  

Acredite, cada homem pegou seu adversário pelo pescoço e enfiou a espada na barriga. Verdadeiramente, um atrapalhado duelo de 24 inimigos que morreram ao mesmo tempo. Por causa disso, o lugar passou a chamar-se Helcate-Hazurim (Campo das Espadas).  

Após esse desatroso resultado, Joabe lançou-se com seus homens contra Abner. Mas isso é assunto para o próximo estudo.  

A paciência de Davi após atrapalhado duelo

Apesar da momentânea diferença, Davi permitiu que Isbosete reinasse sobre a maior parte de Israel. Esses dois anos mostraram notável paciência, longanimidade e confiança em Deus por parte de Davi.   

Isbosete não era o ungido do Senhor como Saul, por isso, Davi parecia ter todo o direito de esmagar este homem que estava no caminho de seu chamado. Contudo, confiando no Senhor e respeitando a memória de Saul, Davi esperou.

Em Cristo!


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