2 Samuel 11:18-27 – Davi chega ao fundo do poço, mata Urias!


2 Samuel 11:18-27 - Davi chega ao fundo do poço, mata Urias!

Joabe cumpriu as instruções de Davi ao pé da letra. Com isso, Davi chega ao fundo do poço, mata Urias. Agora ele precisa mandar a notícia para Davi de forma que não revele nada sobre a conspiração. 

Uma mensagem para Davi

V: 18-21. Joabe chama um mensageiro e lhe dá instruções precisas. O mensageiro deve primeiro fazer um relato completo e detalhado dos acontecimentos, incluindo o malfadado ataque à cidade e a chacina de Urias e o grupo que estava com ele. 

– Preste atenção, o rei provavelmente vai ficar bravo com essa história. Mas se ele perguntar porque chegamos tão perto da cidade, e disser dos perigos que corremos e coisa e tal, não se preocupe. Ele provavelmente vai lembrar a velha história de Abimeleque, que foi morto por uma mulher que atirou uma pedra de moinho de cima dos muros da cidade enquanto ele a sitiava. O rei adora essa história, sempre nos fala dela para dizer que não devemos chegar muito perto da muralha. Enfim: se ele perguntar por que chegamos tão perto da muralha, você apenas diz que o oficial Urias foi morto.

Esta é uma referência de Juízes 9: 50-57, onde Abimeleque foi morto por se aproximar demais dos muros de uma cidade sitiada. A ideia é que Joabe sabia que era uma péssima jogada militar chegar tão perto das muralhas, mas ele o fez de qualquer maneira, só para atender a vontade de Davi.

Por que a maneira como o mensageiro vai dar a notícia é tão importante?

A resposta é muito simples, como fica evidente, pela preocupação do próprio Joabe.

No seu relatório ao rei sobre o resultado da batalha, ele astutamente usou este fato para impedir que Davi o repreendesse por ter perdido homens valentes nessa batalha, por mandá-los aproximar-se demais da muralha da cidade. Afinal, Davi queria apenas um homem morto. Por isso, a missão inteira acabou sendo um fiasco.

Os israelitas estão já a um bom tempo, sitiando a cidade de Rabá. Isso significa que eles rodeiam a cidade e o povo não pode entrar, nem sair. Portanto, tudo o que os israelitas têm a fazer é esperar até que os amonitas morram de fome. Por isso, não havia a necessidade de um ataque. 

Nesse sentido, a missão de atacá-los foi suicida desde o princípio. No entanto, para atender os caprichos do rei, Joabe tem de reunir um grupo de valentes como Urias, incluindo o próprio Urias, para realizar o ataque suicida à cidade.

Eis a razão para que as instruções de Joabe ao mensageiro sejam tão cuidadosas

No entanto, o ataque não é feito contra o ponto mais fraco do inimigo, como seria de se esperar, mas contra o mais forte. Por isso, essa ação provoca um contra-ataque dos amonitas contra Urias e seus homens.

Nesse interim, o exército israelita bate em retirada, deixando seus próprios homens indefesos, e o resultado óbvio é uma chacina.

Dessa forma, como alguém pode dar a notícia de um fiasco desses, sem que Joabe pareça um incompetente (na melhor das hipóteses) ou assassino (na pior)?

Eis a razão para que as instruções de Joabe ao mensageiro sejam tão cuidadosas. O mensageiro deveria informar sobre o ataque à cidade de Rabá e depois, com todo o cuidado, sobre as consequentes perdas israelitas. 

Joabe sabe que Davi irá reagir agressivamente, (talvez com hipocrisia) quando souber do ataque e das perdas.

– É somente nesse momento, que você deve falar da morte de Urias. – diz Joabe ao mensageiro,

Isso, com certeza, ele acreditava que poria fim a quaisquer protestos ou críticas por parte de Davi.

Davi recebe a notícia da morte de Urias

V:22. O mensageiro acatou as ordens e correu para Jerusalém. Não quis, no entanto, correr o risco de provocar a ira do rei, então contou a história mais ou menos dessa forma:

– Majestade, os inimigos eram mais fortes e saíram da cidade para lutar em campo aberto. Nosso exército até conseguiu forçá-los a voltar para cidade, mas aí chegamos muito perto da muralha e eles começaram a atirar flechas lá de cima. Alguns dos oficiais foram mortos, inclusive o heteu Urias.

Quando ficou sabendo que Urias estava morto, Davi ouviu estas palavras com alívio.

Para a surpresa do mensageiro, nem se preocupou com as outras baixas. Um comportamento típico de um homem que chega ao fundo do poço. Ele achava que agora poderia se casar com Bate-Seba e dar uma explicação plausível para a gravidez dela.

Davi chega ao fundo do poço

V: 25 – Hum. Olha, anime o Joabe, ele deve ter ficado abatido com isso. Diga a ele que não fique preocupado, que numa batalha a gente nunca sabe quem vai morrer. Nunca sabe… Mas diga ao general que ele está fazendo um excelente trabalho, e que continue atacando com força até conquistar a cidade.

– Sim, majestade.

Essas palavras de Davi dão o toque final à questão. Elas parecem graciosas e compreensivas, até mesmo simpáticas. 

Curiosamente, Urias, um grande guerreiro e homem de caráter piedoso, acaba de morrer, e Davi não diz uma palavra de pesar, não demonstra nenhuma tristeza, não faz nenhum tributo. 

Urias morre e Davi fica impassível. Compare sua reação à morte de Urias com sua reação às mortes de Saul e Jônatas (2 Samuel 1:11-27), e até mesmo de Abner (2 Samuel 3:28-39). Este não é o Davi de alguns capítulos anteriores. Este é um Davi endurecido, calejado pelo seu próprio pecado. Um Davi chegando ao fundo do poço

Urias é um lembrete de que nem sempre Deus livra imediatamente o justo das mãos do perverso, ou mesmo durante a sua vida

Deus não é obrigado a “nos livrar dos problemas” ou nos afastar das provações e tribulações só porque confiamos nEle.

Às vezes, é da Sua vontade que os homens confiem totalmente nEle e se sujeitem ao governo humano, e ainda sofram adversidades, das quais talvez Ele não os livre. 

Urias é um daqueles gentios convertidos, cuja fé e obediência envergonham muitos israelitas. Ele está entre os muitos que creram em Deus e O obedeceram e não receberam o seu galardão em vida; mas o receberão na vinda do reino de Deus.

Muitos cristãos da atualidade querem suas bênçãos “na hora” e sem sofrimento. Que eles considerem cuidadosamente o exemplo de Urias para a sua própria vida.

Deus não tardaria a demonstrar que não gostara nada daquela covardia

V: 26,27. O mensageiro voltou para Rabá, mas antes deu a notícia a Bate-Seba. A viúva chorou lágrimas sinceras pelo marido que, afinal de contas, amava. Entretanto, quando passou o período de luto, Davi mandou chamá-la e a incorporou a seu harém. Posteriormente, meses depois nascia o menino.

Tudo ficaria bem, fosse Israel uma monarquia absoluta como outras nações. Mas não era: acima do rei pairava a única autoridade inconteste sobre os filhos de Abraão, um Deus todo poderoso. 

O que Davi fizera a Urias ultrapassava todos os limites da vilania, mesmo dentro dos parâmetros de Deus. E Ele não tardaria a demonstrar que não gostara nada daquela covardia.

O Salmo 32 mostra que Davi estava sob intensa convicção durante esse período e que toda a alegria de sua vida desapareceu. Davi conheceria o estresse e a agonia de viver uma vida dupla e falsa. Ele não encontraria alívio até se arrepender e acertar com Deus novamente.

Davi acredita que tudo está resolvido

Davi, sem dúvida, esperava que este fosse o fim de qualquer constrangimento decorrente de sua violação da esposa de Urias. Afinal, a morte de Urias se devia apenas às casualidades de uma batalha, portanto, nada com que se preocupar. 

No entanto, como já sugeri nos estudos anteriores, todos na cidade inteira de Jerusalém estavam plenamente conscientes do que havia acontecido; e Davi logo enfrentaria o profeta de Deus e receberia a terrível sentença pronunciada sobre ele.

Todos os esforços de Davi para levar Urias a retomar suas relações com Bate-Seba prestam um testemunho eloquente ao fato de que Davi realmente não tinha nenhuma intenção, a princípio, de se casar com Bate-Seba; mas não havia como evitá-lo. Ela já estava grávida do filho de Davi e a situação exigia absolutamente que Davi se casasse com ela.

O próximo capítulo traz o relato do dramático confronto de Deus com Davi através do profeta Natã. Foi sem dúvidas, um momento de tristeza para Davi e para todo o Israel.

Em Cristo


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